Home
Sobre a autora
Sobre o livro
Clipping
Entrevistas com escritores
Extras:
-Antônio Torres
-Carlos Heitor Cony
-Ferreira Gullar
-Ivan Angelo
-José Louzeiro
-Zuenir Ventura
Links
Fale conosco
     
 

JOSÉ LOUZEIRO

Data de nascimento:
setembro de 1932, em São Luís, Maranhão.

Atividade profissional:
Aos dezesseis anos eu me iniciei no jornalismo (O Imparcial), na condição de “aprendiz” (não era conhecido o termo estagiário) de revisor gráfico. Em janeiro de 1954 transferi-me para o Rio. Trabalhei, inicialmente, na Revista da Semana e como foca em O Jornal, da cadeia dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Posteriormente, passei pelas redações da Revista da Semana, Manchete, Diário Carioca, Última Hora, Correio da Manhã (no Rio) e, em São Paulo, pela Folha e o Diário do Grande abc. Fui repórter de polícia durante mais de vinte anos.

Em 1958 fiz minha estréia na literatura com o volume de contos intitulado Depois da Luta. Meu primeiro trabalho no cinema aconteceu em 1976, como co-roteirista do filme Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, baseado no meu romance homônimo, lançado em 1975, pela editora Civilização Brasileira de Ênio Silveira.

Meus livros mais conhecidos são: Infância dos mortos, o argumento do filme Pixote; Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (título homônimo no cinema); Aracelli, meu amor; Em carne viva, lembrando o drama de Zuzu Angel e de seu filho Stuart Angel, morto na tortura, na década de 1960. Entre os infanto-juvenis: A gang do beijo, Praça das dores (um remember dos meninos assassinados na Candelária, em 1993), A hora do morcego (Ritinha Temporal) e Gugu Mania.

Em outubro de 1997, em São Paulo, lancei a biografia de Elza Soares, Cantanto para não enlouquecer. Logo depois escrevi O anjo da fidelidade, um estudo da trajetória de Gregório Fortunato, o guarda-costas de Getúlio Vargas. Sou autor de 43 livros e considerado o criador, no Brasil, do gênero intitulado romance-reportagem. No cinema assinei, como roteirista, dez longas-metragens, dos quais pelo menos quatro se tornaram populares: Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, Pixote, O caso Cláudia e O homem da capa preta. Atualmente, coordeno para a Editora Nova Fronteira, a coleção de romances policiais intitulada Primeira Página.

1. Em 1904, João do Rio publicou O momento literário, uma enquete em que perguntava aos intelectuais brasileiros, entre outras coisas, se a atividade jornalística era prejudicial ou não a um aspirante a escritor. Qual seria sua resposta à pergunta de João do Rio?
O jornalismo, em termos literários, é a “salvação da lavoura”. Por meio dele nos livramos da literatice de escritores chatos, tão chatos que se imaginam gênios.

2. Na sua opinião o jornalista é um escritor? O jornalismo é uma vocação ou um ofício? E a literatura?
O jornalismo é o começo saudável para quem deseja ser escritor. A diferença entre o ficcionista e o jornalista é: o primeiro produz, afobado, de olho no fechamento do jornal. O segundo deve fazer pelo menos uns dez tratamentos do que rabiscou antes de entregar os originais ao editor. A literatura também termina sendo um ofício, desde que o autor trabalhe, profissionalmente. Eu me considero um profissional, sindicalizado.

3. Pretendia ser escritor quando ingressou no jornalismo?
Nunca quis ser nada. Sou produto de uma sucessão de acasos. Mas, quando me vi numa redação, gostei e fiquei. Foi onde aprendi a ler direito e passei a me interessar pelos livros.

4. Como concilia as duas atividades? Tem ainda outra?
Tenho algumas. O jornalismo é minha fonte de informação. Foi através dele, como repórter de polícia, durante mais de vinte anos, que aprendi a conhecer melhor o mundo em que vivo e a mim mesmo. Sou diretor cultural da sbat (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), dou aulas de dramaturgia nos cursos Usina de Roteiro e no Tempo Glauber, cuido o melhor que posso de meus livros e atualmente coordeno a coleção de romances policiais Primeira Página para a Editora Nova Fronteira, juntamente com Carlos Augusto Lacerda e Carlos Barbosa.

5. Em quais editorias trabalhou? [O autor compreendeu errado a pergunta.]
Como colaborador, participei das equipes que produziram as enciclopédias Barsa e Delta Larousse. A primeira, na década de 1970, dirigida por Bolívar Costa e a segunda, sob a responsabilidade de Antônio Houaiss. Tenho livros editados por diversas casas: Nova Fronteira, Ediouro, Francisco Alves, Moderna, Editora do Brasil, Bertrand e, brevemente, pela Mondrian.

6. Convive ou já conviveu com outros escritores jornalistas? Relate discussões, casos interessantes, momentos marcantes.
Convivi com dois grandes jornalistas escritores: Antônio Callado e Nelson Rodrigues. O primeiro, no saudoso Correio da Manhã. Do Nelson, fui colega, em Última Hora, durante pelo menos uns cinco anos. Curiosidade de Callado: era de pouco falar, mas quando se zangava fazia discursos. Se por algum motivo, no auge da irritação, dizia alguma coisa que pudesse ferir alguém, o que era raro, no dia seguinte se desculpava. Nelson Rodrigues não costumava se desculpar de nada. Acabava de escrever uma página de sua coluna intitulada A vida como ela é ..., queria que nós, do copidesque, parássemos o que estávamos fazendo para ler. Líamos, fingindo não gostar. Ele ficava “p” da vida. Mas eu tinha e tenho carinho especial por Nelson e por Callado, gênios da literatura de língua portuguesa.

7. Em quais editorias trabalhou? [Também não compreendeu a pergunta.]
Na de Castelinho (Carlos Castelo Branco), no velho Diário Carioca. Tive como colegas José Ramos Tinhorão, Carlinhos de Oliveira, Hélio Pólvora, Milton Coelho da Graça e o saudoso Juarez Barroso. Depois dai, não participei mais de “editoriais”, como hoje se tende. Integrei “turmas” que entravam e saiam dos jornais, seguindo o redator-chefe nosso amigo.

Há prós e contras o jornalismo.
8. Ele oferece um aperfeiçoamento formal (linguagem) ou bloqueia?
Jornalismo só faz bem, inclusive à saúde. Quando voltar a ser jovem (acredito na reencarnação) serei repórter novamente.

9. Profissionalização. Permite a sobrevivência financeira do escritor ou o afasta do seu caminho?
O jornalismo abre caminho. Cabe ao candidato a escritor cultivar a virtude da humildade e aproximar-se dos que sabem para aprender com eles. Se vamos ganhar muito dinheiro com isso, é o que menos importa. Importante, mesmo, é fazer o que gostamos; o que fazemos com alegria. Criar personagens, para mim, é um ato extraordinário. O escritor tem essa oportunidade. Alguma coisa que o aproxima do divino. Depois disso, dá para se preocupar tanto com o vil metal?

10. Liberdade de pensamento. Esta foi uma das razões que o levaram à literatura?
Sem dúvida. Pensei em me tornar escritor graças ao golpe de 1964. Sai para fazer uma reportagem (Folha de S.Paulo) sobre meninos de rua “jogados fora” pela polícia paulista no município mineiro de Camanducaia. A censura reduziu minha matéria a uns vinte linhas. Deixei a redação, voltei para o Rio, escrevi o romance Infância dos mortos, de onde foi tirado o filme Pixote.

11. O que faria o livro superior ao jornal?
O livro é elaborado com mais vagar. Com muitos tratamentos. O jornal é o flagrante. A notícia imediata. Em compensação, lança, diariamente, uma porção de temas de interesse de certos escritores.

12. De alguma forma (linguagem, temática, estrutura etc.) o jornalismo pode ter afetado sua ficção?
Felizmente, sim. Sou acusado, inclusive, de ser o criador, no Brasil, do romance-reportagem. Mas isso não é verdade. Apenas escrevi o livro Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, que abriu essa vertente literária. O responsável pelo slogan foi o saudoso Ênio Silveira que já está no céu.


 

 

Pena de Aluguel :: Cristiane Costa
Página desenvolvida por Elizabeth Sucupira :: 2005